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Mesmo que muitas vezes seja uma corrida sem ultrapassagens, o Grande Prêmio de Mônaco não perde seu fascínio pela tradição e o charme. O circuito é basicamente o mesmo desde 1929 e todo piloto sonha em vencer lá.
Meu primeiro GP de Mônaco in loco foi em 1986. Tinha ido com um grupo de jornalistas brasileiros conhecer o circuito de Hungaroring que ainda estava sendo construído para receber o GP da Hungria naquele ano.
Como a data era perto da corrida em Mônaco, propus ao Jornal do Brasil fazer a cobertura já que o interesse por Ayrton Senna era crescente e o jornal não tinha ainda um correspondente fixo acompanhando todo o circuito. Fui de trem até Monte Carlo, numa longa jornada preenchida com a excitação de ver de perto a corrida pela qual me apaixonara desde a vitória de Beltoise sob chuva torrencial em 1972, a primeira prova de F1 que vi pela TV.
Ao chegar lá, a primeira coisa que fiz depois de encontrar um hotel, fora de Mônaco, naturalmente, foi percorrer a pé o traçado para ver de perto cada uma de suas curvas, o Cassino, o túnel e a piscina. Parei no porto, junto ao mar, imaginando o mergulho de Ascari naquelas águas, imortalizado em cena espetacular do filme Grand Prix, de John Frankenheimer.
O que viesse a partir daí já era lucro, mas ainda tive a sorte de um encontro casual com Ayrton Senna, que foi muito simpático ao me ver e me convidou para acompanhá-lo em visita aos boxes. Ele deu uma longa parada na Benetton, antiga Toleman, pela qual quase venceu em Mônaco no seu ano de estréia. Senna vinha de três poles consecutivas e não precisava do melhor carro para ser competitivo em Mônaco. Mas naquele ano fez o terceiro tempo nos treinos e terminou a corrida na mesma posição.
A corrida não teve grandes variações, e Alain Prost venceu de ponta a ponta. O que mais marcou a prova foi o acidente em que Patrick Tambay atropelou a Tyrrel de Martin Brundle e voou com sua Lola-Beatrice sobre o carro do inglês, aterrisando sobre o guard rail.
Voltei a Mônaco três anos depois, com Senna já campeão mundial e no ano seguinte em que perdeu a prova por um descuido do qual jamais se perdoou. Em 1989, ele iniciaria sua série de cinco vitórias consecutivas em Mônaco, que somadas ao primeiro sucesso de 1987, o tornaram o maior vencedor da prova em todos os tempos.
Senna já mostrou superioridade logo nos treinos, quando fez a pole com mais de um segundo de vantagem sobre Prost, com o mesmo equipamento. Foi o ano da volta dos motores aspirados, e Senna liderou a prova do início ao fim, ainda encontrando espaço para uma ultrapassagem sobre René Arnoux, deixando a Ligier entre ele e Prost até o fim da corrida que venceu com mais de um minuto de vantagem.
Em 1991 estava em Mônaco pela terceira vez e testemunhei mais uma incrível pole-position de Senna, desta vez meio segundo à frente de Stefano Modena, a surpresa da classificação, com uma Tyrrell de motor Honda V10. Senna fez uma corrida à parte, ampliando sua vantagem volta a volta e conquistou sua quarta vitória no Principado.
No ano seguinte Mônaco comemorava o seu 50º grande prêmio. A Williams tinha o melhor carro da temporada, e Nigel Mansell vencia consecutivamente. Mônaco era a sexta corrida da temporada, e Mansell vencera as cinco corridas anteriores.
A McLaren-Honda já não era mais a mesma e a parceria de tanto sucesso terminaria ao fim daquele ano. As Williams de Mansell e Riccardo Patrese garantiram a primeira fila, e Senna largou em terceiro, bem atrás do "leão". Mas Senna sempre sabia tirar o máximo de uma corrida em Mônaco, e já na Saint Devote tinha passado Patrese por dentro.
Superar Mansell, porém, eram outros quinhentos e Senna precisou contar com a sorte. A oito voltas do fim, Mansell teve que ir aos boxes com problemas em um dos pneus e Senna assumiu a liderança. O leão voltou como louco, colocando seu carro quase em cima da McLaren, mas ultrapassar Senna em Mônaco era tarefa impossível. A diferença de tempo entre os dois foi de um quarto de segundo, a menor da história.
Não voltei mais a Mônaco depois disso, mas assisto cada corrida lá como se fosse a primeira, aquela em que Jean Pierre-Belotise conquistou uma vitória épica, superando outros mestres da chuva, como Jacky Ickx, que largou duas posições à sua frente.
4 comentáriosA Renault está suspensa do Grande Prêmio da Europa, dia 23 de agosto, em Valência, por ter deixado Fernando Alonso sair dos boxes com a roda dianteira direita não fixada adequadamente. Os comissários da FIA consideraram que a Renault foi negligente.
A punição me parece excessiva. O que aconteceu foi um acidente, típico de pit stops. Quem nunca viu um pneu se soltar após uma parada nos boxes por erro dos mecânicos? Se a Renault soubesse que a roda não estava bem presa não teria deixado Alonso sair. Afinal, ele liderava a corrida e o problema acabou com suas chances.
Acho que a FIA agiu com rigor excessivo por conta dos recentes acidentes com John Surtees, na Fórmula 2, e com Felipe Massa. Os dois foram vítimas de objetos que se desprenderam de outros carros. Mas esses dois acidentes foram involuntários e ninguém pode ser responsabilizado por eles.
A Renault vai recorrer e duvido que a suspensão seja mantida. Ou alguém imagina uma corrida na Espanha sem a presença de Fernando Alonso?
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Lewis Hamilton voltou a provar o sabor do lugar mais alto do pódio ao vencer o Grande Prêmio da Hungria em grande estilo. Kimi Raikkonen levou a Ferrari de volta ao pódio na melhor colocação da escuderia esse ano. Mark Weber completou o trio vencedor.
A principal conclusão que se pode tirar da corrida de hoje é que McLaren e Ferrari evoluiram muito e podem se tornar o fiel da balança na disputa entre Brawn e Red Bull, as maiores candidatas ao título de pilotos e construtores.
Se a briga ficasse apenas entre Brawn e Red Bull, esta última levaria vantagem, já que está com o melhor carro e tenderia chegar sempre à frente da rival. Acontece que com a melhora de Ferrari e McLaren, seus pilotos vão estar sempre disputando o pódio, o que poderá dificultar a Red Bull no encalço da Brawn.
Mesmo com um carro inferior ao da Red Bull, a Brawn tem se mantido na zona de pontuação, e Jason Button continua na liderança após 10 das 17 etapas. A diferença de Button caiu para 18,5 pontos e sua regularidade será fundamental nas últimas provas da temporada. Mas o carro precisará melhorar muito para possibilitar ao inglês se manter no páreo.
A F 1 para por três semanas e só volta no GP da Europa, dia 23 de agosto, em Valência, na Espanha.
O acidente de Massa e uma pane no sistema de cronometragem acabaram deixando o resultado do treino final para o GP da Hungria em segundo plano. Fernando Alonso fez a pole-position, que só conseguiu saber bem depois de parar o carro. Com a falha na cronometragem, ninguém sabia onde estava no grid.
A pole de Alonso é uma surpresa na temporada dominada por Brawn e Red Bull, mas provavelemnte foi obtida com um carro mais leve que os demais.
O resultado do treino confirmou a superioridade da Red Bull sobre a Brawn no duelo pelo título deste ano. Vettel e Weber ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, entanto Button e Barrichello amargaram a oitava e 13ª posições. No travado circuito de Hungaroring, o favoritismo é dos touros vermelhos.
A Ferrari fez o sétimo lugar, com Kimmi Raikkonen, e Massa ficou em 10º, mesmo com o acidente.
2 comentáriosNico Rosberg, da Williams, o rei das sextas-feiras, foi superado em Hungaroring pelas McLaren, que dominaram os dois treinos livres. Kovalainen foi o mais rápido na primeira sessão, e Hamilton, na segunda. Isso quer dizer alguma coisa? Provavelmente, não. A McLaren teria que ter dado um salto qualitativo gigantesco para ser a mais rápida do dia. Possivelmente, a escuderia inglesa optou por duas voltas voadoras no dia em que todo mundo se dedica a avaliar os componentes e a acertar o carro para o treino oficial e para a corrida.
Uma análise dos tempos do treino final de hoje mostra a Red Bull bem posicionada, com Weber e Vettel dando praticamente o mesmo número de voltas e com tempos próximos. A disputa entre os dois pilotos da Red Bull está aberta e poder ter lances emocionantes na corrida de domingo. Na Brawn, Barrichello ficou cinco posições à frente de Button, mas se achou um set up melhor para o carro ele será usado por Button, a aposta da equipe para chegar ao título.
A Ferrari não teve um bom dia. Massa teve um problema no carro e acabou com o 18º tempo. Haikkonen andou um pouco melhor e ficou em 11º lugar. A Ferrari se concentrou no acerto para a corrida, com os diferentes tipos de pneus. O estreante Jaime Alguersuari, da Toro Rosso, ficou em último lugar, como esperado, mas rodou no mesmo segundo que o companheiro de equipe Sebatien Buemi.
Sábado pode mudar tudo. Vamos aguardar.



