

A meteorologia está prevendo chuva em Mônaco durante todo o fim de semana, o que torna a prova totalmente imprevisível. A classificação, com 24 carros na pista molhada, tende a ser um desastre, com uma série de interrupções.
Se todos os carros estiverem na pista ao mesmo tempo, haverá menos de 140 metros de distância entre cada um. Lewis Hamilton disse que mesmo que não chova a possibilidade de muitas interrupções nos treinos e na classificação já transformará a prova em uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos.
Hamilton sabe do que está falando, porque venceu um caótico GP de Mônaco em 2008, iniciado sob chuva. Hamilton tocou o guard rail logo no início da corrida, teve um pneu furado, precisou ir aos boxes e mesmo assim foi o primeiro a cruzar a linha de chegada depois de muitas paradas de todos os pilotos para troca de pneus à medida que a pista secava.
Com chuva em Mônaco tudo pode acontecer. Falei no post anterior da vitória de Beltoise, em 1972, a única de sua carreira na F1. Beltoise se classificou em quarto lugar e com uma largada extraordinária já era o primeiro na subida do Cassino. A partir daí dominou a prova deibaixo de um temporal e ainda fez uma volta mais rápida.
Mônaco tem esse estranho poder de criar vencedores únicos, principalmente com chuva. Olivier Panis foi outro que só venceu lá, numa chuvosa corrida em 1996, na qual largou apenas na 14ª posição. Schumacher, um dos mestres na chuva, bateu logo na primeira volta, desperdiçando a preciosa pole-position; Damon Hill viu seu motor explodir dentro do túnel quando ocupava a liderança e Jean Alesi sentiu a vitória escorrer entre os dedos quando foi informado que a suspensão traseira de sua Benetton tinha ido pro brejo.
Olivier Panis teve o mérito de conseguir se manter na pista escorregadia e suportou a pressão de David Coulthard, então com McLaren, para conquistar a última vitória da Ligier na Fórmula 1. Apenas quatro pilotos cruzaram a linha de chegada, o que só acontecera uma vez em Mônaco, em 1966, ano em que John Frankenheimer filmou Grand Prix.
Para os brasileiros, o GP de Mônaco com chuva mais lembrado é o de 1984, quando Senna poderia ter conquistado sua primeira vitória, logo no ano de estréia, com uma Toleman de motor Hart. A chuva daquele ano foi comparável a de 1972. Alain Prost, que largou na pole, tinha a prova sob controle nas difíceis condições da pista até que começou a ser ameaçado por dois jovens pilotos: Ayrton Senna, que vinha tirando quatro segundos por volta, e Stefan Bellof, que acompanhava seu ritmo.
Uma ultrapassagem sobre o líder parecia questão de tempo, mas na 31ª volta, o diretor da prova, Jacky Ickx, decidiu interromper a corrida por falta de condições. Senna ficou em segundo e Bellof em terceiro, mas a vitória teria sabor amargo para Prost. Como menos de 75% da distância tinha sido completada, a pontuação foi reduzida à metade e o francês perdeu o título daquele ano para Niki Lauda por apenas meio ponto.
2 comentáriosMesmo que muitas vezes seja uma corrida sem ultrapassagens, o Grande Prêmio de Mônaco não perde seu fascínio pela tradição e o charme. O circuito é basicamente o mesmo desde 1929 e todo piloto sonha em vencer lá.
Meu primeiro GP de Mônaco in loco foi em 1986. Tinha ido com um grupo de jornalistas brasileiros conhecer o circuito de Hungaroring que ainda estava sendo construído para receber o GP da Hungria naquele ano.
Como a data era perto da corrida em Mônaco, propus ao Jornal do Brasil fazer a cobertura já que o interesse por Ayrton Senna era crescente e o jornal não tinha ainda um correspondente fixo acompanhando todo o circuito. Fui de trem até Monte Carlo, numa longa jornada preenchida com a excitação de ver de perto a corrida pela qual me apaixonara desde a vitória de Beltoise sob chuva torrencial em 1972, a primeira prova de F1 que vi pela TV.
Ao chegar lá, a primeira coisa que fiz depois de encontrar um hotel, fora de Mônaco, naturalmente, foi percorrer a pé o traçado para ver de perto cada uma de suas curvas, o Cassino, o túnel e a piscina. Parei no porto, junto ao mar, imaginando o mergulho de Ascari naquelas águas, imortalizado em cena espetacular do filme Grand Prix, de John Frankenheimer.
O que viesse a partir daí já era lucro, mas ainda tive a sorte de um encontro casual com Ayrton Senna, que foi muito simpático ao me ver e me convidou para acompanhá-lo em visita aos boxes. Ele deu uma longa parada na Benetton, antiga Toleman, pela qual quase venceu em Mônaco no seu ano de estréia. Senna vinha de três poles consecutivas e não precisava do melhor carro para ser competitivo em Mônaco. Mas naquele ano fez o terceiro tempo nos treinos e terminou a corrida na mesma posição.
A corrida não teve grandes variações, e Alain Prost venceu de ponta a ponta. O que mais marcou a prova foi o acidente em que Patrick Tambay atropelou a Tyrrel de Martin Brundle e voou com sua Lola-Beatrice sobre o carro do inglês, aterrisando sobre o guard rail.
Voltei a Mônaco três anos depois, com Senna já campeão mundial e no ano seguinte em que perdeu a prova por um descuido do qual jamais se perdoou. Em 1989, ele iniciaria sua série de cinco vitórias consecutivas em Mônaco, que somadas ao primeiro sucesso de 1987, o tornaram o maior vencedor da prova em todos os tempos.
Senna já mostrou superioridade logo nos treinos, quando fez a pole com mais de um segundo de vantagem sobre Prost, com o mesmo equipamento. Foi o ano da volta dos motores aspirados, e Senna liderou a prova do início ao fim, ainda encontrando espaço para uma ultrapassagem sobre René Arnoux, deixando a Ligier entre ele e Prost até o fim da corrida que venceu com mais de um minuto de vantagem.
Em 1991 estava em Mônaco pela terceira vez e testemunhei mais uma incrível pole-position de Senna, desta vez meio segundo à frente de Stefano Modena, a surpresa da classificação, com uma Tyrrell de motor Honda V10. Senna fez uma corrida à parte, ampliando sua vantagem volta a volta e conquistou sua quarta vitória no Principado.
No ano seguinte Mônaco comemorava o seu 50º grande prêmio. A Williams tinha o melhor carro da temporada, e Nigel Mansell vencia consecutivamente. Mônaco era a sexta corrida da temporada, e Mansell vencera as cinco corridas anteriores.
A McLaren-Honda já não era mais a mesma e a parceria de tanto sucesso terminaria ao fim daquele ano. As Williams de Mansell e Riccardo Patrese garantiram a primeira fila, e Senna largou em terceiro, bem atrás do "leão". Mas Senna sempre sabia tirar o máximo de uma corrida em Mônaco, e já na Saint Devote tinha passado Patrese por dentro.
Superar Mansell, porém, eram outros quinhentos e Senna precisou contar com a sorte. A oito voltas do fim, Mansell teve que ir aos boxes com problemas em um dos pneus e Senna assumiu a liderança. O leão voltou como louco, colocando seu carro quase em cima da McLaren, mas ultrapassar Senna em Mônaco era tarefa impossível. A diferença de tempo entre os dois foi de um quarto de segundo, a menor da história.
Não voltei mais a Mônaco depois disso, mas assisto cada corrida lá como se fosse a primeira, aquela em que Jean Pierre-Belotise conquistou uma vitória épica, superando outros mestres da chuva, como Jacky Ickx, que largou duas posições à sua frente.
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A Fórmula
1 vem de três corridas espetaculares, cheias de ultrapassagens, rivalidades
entre pilotos adversários e companheiros de equipe e alguns acidentes. Mas o
sucesso dos grandes prêmios da Austrália, Malásia e China teve um elemento comum
determinante: a chuva. Será que numa prova disputada sob sol e em pista seca a
F1 manterá a qualidade ou voltará a ser uma procissão entediante, como no
Bahrein?
Essa
pergunta deverá ser respondida em Barcelona, daqui a duas semanas, quando
começa a temporada européia. A F1 começou a temporada em crise, com uma prova
sonolenta no Bahrein, que abriu o debate sobre a necessidade de mudança nas
regras para proporcionar mais emoção. Mas tudo ficou para trás com as três últimas
provas, empolgantes do início ao fim.
É possível
que o que aconteceu no Bahrein tenha sido excesso de cautela pela necessidade
de conhecer os carros com novos pneus e a proibição do regulamento. É difícil
imaginar uma corrida tão monótona agora que o campeonato lançado e as disputas
a todo vapor.
Lewis
Hamilton, o piloto espetáculo das três últimas corridas, precisa de uma vitória
para enfrentar seu companheiro de McLaren, Jenson Button, que, contrariando
expectativas, venceu duas corridas e lidera o campeonato com 11 pontos de
vantagem sobre Hamilton.
Na
Ferrari, Alonso também precisa de nova vitória com urgência para provar que o
sucesso do Bahrein não foi mero acaso e que a Ferrari está no páreo. Felipe
Massa, por sua vez, precisa dar o troco no espanhol para vingar a ultrapassagem
no pit lane do GP da China e para manter uma igualdade de tratamento na equipe.
Na Red
Bull, Vettel tem que ganhar corridas para recuperar o tempo perdido nas quatro
primeiras provas, quando tinha o carro mais rápido e só venceu uma delas. A Red
Bull fez as quatro poles até agora - três de Vettel e uma de Weber -, mas o
alemão é apenas o quinto colocado, com 45 pontos, e Webber, o oitavo, com 28.
O GP da
Espanha também será decisivo para a Mercedes. Com um novo pacote aerodinâmico,
a equipe alemã tentará alcançar o ritmo das três principais adversárias. Se
conseguir, Nico Rosberg, segundo colocado no campeonato, poderá sonhar com a
primeira vitória. Já Michael Schumacher verá se consegue ser o mesmo de antes
ou se os três anos de aposentadoria foram tempo demais para voltar a ser
competitivo na Fórmula 1.
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A meteorologia está prevendo chuva em pelo menos dois dos três dias do GP da Bélgica. Falamos recentemente da vitória de Ayrton Senna, sob chuva, em 1989, mas a prova mais marcante debaixo d água em Spa foi a de 1998. Com pista molhada e pouca visibilidade, nada menos que 13 dos 22 carros se envolveram num gigantesco acidente logo na primeira curva. Foi preciso quase uma hora para retirar os carros e limpar as pistas dos pedaços que voaram por todos os cantos. Esta corrida deve ter marcado o recorde de uso de carros reservas, e novos acidentes aconteceram após a relargada, fazendo com que apenas oito carros cruzassem a linha de chegada. Schumacher liderou a prova até a 24ª volta, quando ao tentar ultrapassar Coulthard, que era retardatário, atingiu a McLaren e perdeu a roda dianteira direita. Schumacher ficou uma fera e ao chegar aos boxes partiu para cima de Coulthard perguntando se ele queria matá-lo. Com tantos contratempos, a vitória foi de Damon Hill, com a Jordan, resultado que o deixou em êxtase. Eddie Jordan contou que Damon ria de orelha a orelha porque muita gente tinha dito que ele não poderia vencer na Fórmula 1 com outro carro que não a super Williams, com a qual tinha sido vice em 1994 e 1995, e campeão em 1996.
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